quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Teu olhar... Falando de tudo um pouco

O que te dizem os olhos dos gatos?

- Quando se estreitam ao te olhar, com ar conquistador, estão jogando beijinhos e declarando amor; aí me derreto!

- Quando se arregalam, pedindo ajuda, espelhando abandono, medo de seus predadores (incluindo os humanos); machucam o coração.



Comecei falando sobre o olhar dos gatos, mas lembrei de um cãozinho: Chiquito.

Eu e Tati estávamos voltando do escritório ao entardecer de algumas semanas atrás e o vimos, remexendo uma lixeira.  É um cão de porte pequeno; parece daqueles barbudinhos, peludos. Parece, porque o pelo é pouco... Ele não aparenta sinais de sarna e não está excessivamente magro, mas obviamente está enfraquecido, como o pelo demonstra.

Demos um pouco de ração de gato que estava em minha bolsa e ele comeu. Chiquito tem um olhar profundo, que deve esconder uma grande desilusão com o ser humano. Apesar da promessa que fiz de não voltar a ter mais de dois cães ao mesmo tempo, devido a um trauma antigo, cheguei a chamá-lo para vir conosco. Pensei em deixá-lo na garagem, tentar cuidá-lo; mas Chiquito já não confia nos humanos.

Comecei a fazer o mesmo trajeto para vê-lo e consegui mais algumas vezes dar-lhe ração. Ele só come um pouco e se afasta. Há dias não o vejo; torço para que tenha sido acolhido por alguém de um dos grupos de protetores que existem na cidade e fazem um belo trabalho com muitos animais de rua.

Ainda falando sobre animais de rua: vocês já repararam que muitos cães de rua, mesmo magros e desnutridos, não comem ração? Não foi só Chiquito que mostrou pouco interesse, já tentamos por várias vezes dar ração a cães de rua, aparentemente famintos: alguns apenas cheiram e sequer a comem; outros dão uma provadinha e viram as costas.

Em nossa cidade é comum ver-se potes com ração na frente de algumas casas, destinados aos animais de rua e, no entanto, são desprezados por muitos deles.

E os animais que não querem sair das ruas?
Em frente à minha casa mora uma moça, ligada à proteção animal, que acolheu uma cadela de rua que teve filhotes. Os filhotes já foram doados e a mãe está tomando remédio para secar o leite para, após, serem analisadas pelo vet as suas maminhas, pois parece que desenvolveu tumor.  
O maior problema está sendo manter a cadelinha em seu pátio; durante o dia ela até não fica muito nervosa, mas, à noite, late desesperadamente e ela já teme que os vizinhos tomem alguma atitude.
Ela acredita que a cadelinha queira voltar às ruas, que não aceita haver sido privada de sua liberdade.

6 comentários:

Beth disse...

Gisa querida, minha experiência com animais está comprovando que: cães de rua não aceitam contenção; adoram banhos de chuva; qualquer resto de comida os satisfaz e os mais felizes são os cães de papeleiros, passeiam o dia todo, comem o necessário e à noite repousam sob os carrinhos de coleta. Penso que esses cães deveriam ser castrados e devolvidos aos seus parceiros.
Beijos.

Blog da Rutha disse...

Eu também me derreto com os olhares carinhosos que os meus me lançam !
Fico sempre muito angustiada quando vejo animais abandonados nas ruas, tenho seguido blogs de protetores daqui de Joinville e todos os dias leio posts sobre animais perdidos e abandonados, cada dia surgem mais animais ! A minha vizinha cuida de 2 que andam nas ruas (sempre atrás dela ou na porta das nossas casas) e eles não querem muita ração não ! Querem comida ! E querem ser livres ! Não suportam ficar atrás de um portão fechado !
Concordo com a Beth que eles precisam ser castrados e devolvidos ao lugar que costumam viver.
Beijos
Laís

Milene Widholzer disse...

Oi Gisa:
Tive como vizinha uma senhora que frequentemente recolhe para o seu apartamento cães que aparecem pelas redondezas, leva ao veterinário, castra, alimenta bem.. Alguns ela consegue adotantes, outros ficam com ela. Um dos seus adotados foi atropelado perto de casa. Era um cão de rua que gostava de correr atrás de carros e numa dessas vezes foi atropelado. Sofreu várias cirurgias, quase não escapa, mas hoje é um cachorro lindo, bem forte. Só tem um detalhe... ele ainda não se acostumou com a vida dentro de casa... Ela sai à rua com ele na guia várias vezes ao dia para passear, mas se tiver oportunidade, ele escapa. Numa das vezes sumiu por dias e ela conseguiu acha-lo a quilometros, com um bando de cães de rua, todo imundo, mancando e felizão.
Voltou com ela pra casa e passado uns dias lá estava ele, de cabeça baixa, desanimado... Melhorou com a cia de outros cães de rua, que ela salvou de situações de maus tratos, violência, abandono, mas longe de ter aquela cara alegre que tinha quando corria pelas ruas...

Adorei o olhar de conquista do gatinho... Eu me derreto quando a Mina olha pra mim de manhã cedo, na maior sonolência, com os olhos semi cerrados hehehe (sim, porque Mina é uma gata que não perambula à noite - ela é a primeira a deitar e dorme a noite inteirinha, roubando cobertor e tomando todo espaço da cama rsrs).

Bjocas

Gatos da minha vida: Lola, Lilica, Smigol e Preta disse...

Muuuito interessantes e importantes sua observação e reflexão, é trsite, mas quem vive solto não quer ficar preso...;-( Também me deparo com mtos animais de rua que não aceitam ração...
Ps: O olhar deles diz tudo...;-(
Bjinhaaaus
Wayne

Repositório disse...

Olhar de desprezo -> ¬¬
Aí que eu afofo mais... amo!!

Nikita disse...

Gisa, o olhar do gato é encantador. Amo, amo, amo!!....dá uma dor no coração quando fico sabendo ou vejo animais abandonados nas ruas, se eu pudesse resgataria todos para mim.

Bjs, Néia